sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Não há nada que mais me alegra do que postar valorosos sentimentos de poetas consagrados ou não, pois as palavras vem da alma de quem as escreve, e devem ser recebidas com muito carinho por aqueles que as leem, observam-nas e nelas meditam.
Na verdade, somos seres completos em nós mesmos, basta apenas descobrirmos isso. No entanto, temos uma necessidade da complexidade completa que o outro nos proporciona, e "Cisnes Brancos" é isso:
Poema rico, agudo e de beleza imensurável, pois os versos tratam de amor, morte e religiosidade, mistério de difícil acesso à alma que ainda não se vê preparada para desnudá-lo...
Visto que, a tristeza profunda que Alphonsus de Guimaraens expressava em suas obras dá-se pela perda de sua noiva Constança... amor dos amores... que através de sua morte o influenciou a escrever dessa maneira...
Assim, Alphonsus de Guimaraens com maestria, utiliza metáforas (Cisnes Brancos) que simbolizam a monogamia do amor!!!
Cisnes Brancos
Ó cisnes brancos, cisnes brancos, 
Porque viestes, se era tão tarde?
O sol não beija mais os flancos
Da Montanha onde mora a tarde.

Ó cisnes brancos, dolorida
Minh’alma sente dores novas.
Cheguei à terra prometida:
É um deserto cheio de covas.

Voai para outras risonhas plagas, 
Cisnes brancos! Sede felizes...
Deixai-me só com as minhas chagas, 
E só com as minhas cicatrizes.

Venham as aves agoireiras, 
De risada que esfria os ossos...
Minh’alma, cheia de caveiras,
Está branca de padre-nossos.

Queimando a carne como brasas,
Venham as tentações daninhas,
Que eu lhes porei, bem sob asas,
A alma cheia de ladainhas.

Ó cisnes brancos, cisnes brancos,
Doce afago da alva plumagem!
Minh’alma morre aos solavancos
Nesta medonha carruagem...

Quando chegaste, os violoncelos
Que andam no ar cantaram no hinos.
Estrelaram-se todos os castelos, 
E até nas nuvens repicaram sinos.

Foram-se as brancas horas sem rumo, 
Tanto sonhadas! Ainda, ainda
Hoje os meus pobres versos perfumo
Com os beijos santos da tua vinda.

Quando te foste, estalaram cordas
Nos violoncelos e nas harpas...
E anjos disseram: — Não mais acordas, 
Lírio nascido nas escarpas!

Sinos dobraram no céu e escuto
Dobres eternos na minha ermida.
E os pobres versos ainda hoje enluto
Com os beijos santos da despedida.

Alphonsus de Guimaraens
Imagem: Internet

O cisne-branco (Cygnus olor) é uma espécie de cisne nativa da Eurásia. É uma ave não migratória, mas foi introduzida na América do Norte e noutras regiões como animal ornamental de jardins. Pertence à família Anatidae, à qual também pertencem os patos e gansos.
Não há nada que mais me alegra do que postar valorosos sentimentos de poetas consagrados ou não, pois as palavras vem da alma de quem as escreve, e devem ser recebidas com muito carinho por aqueles que as leem, observam-nas e nelas meditam.

Na verdade, somos seres completos em nós mesmos, basta apenas descobrirmos isso. No entanto, temos uma necessidade da complexidade completa que o outro nos proporciona, e "Cisnes Brancos" é isso: 

Poema rico, agudo e de beleza imensurável, pois os versos tratam de amor, morte e religiosidade, mistério de difícil acesso à alma que ainda não se vê preparada para desnudá-lo... 

Visto que, a tristeza profunda que Alphonsus de Guimaraens expressava em suas obras dá-se pela perda de sua noiva Constança... amor dos amores... que através de sua morte o influenciou a escrever dessa maneira... 

Assim, Alphonsus de Guimaraens com maestria, utiliza metáforas (Cisnes Brancos) que simbolizam a monogamia do amor!!!

Cisnes Brancos

Ó cisnes brancos, cisnes brancos, 
 Porque viestes, se era tão tarde?
 O sol não beija mais os flancos
 Da Montanha onde mora a tarde.

Ó cisnes brancos, dolorida
 Minh’alma sente dores novas.
 Cheguei à terra prometida:
 É um deserto cheio de covas.

Voai para outras risonhas plagas, 
 Cisnes brancos! Sede felizes...
 Deixai-me só com as minhas chagas, 
 E só com as minhas cicatrizes.

Venham as aves agoireiras, 
 De risada que esfria os ossos...
 Minh’alma, cheia de caveiras,
 Está branca de padre-nossos.

Queimando a carne como brasas,
 Venham as tentações daninhas,
 Que eu lhes porei, bem sob asas,
 A alma cheia de ladainhas.

Ó cisnes brancos, cisnes brancos,
 Doce afago da alva plumagem!
 Minh’alma morre aos solavancos
 Nesta medonha carruagem...

Quando chegaste, os violoncelos
 Que andam no ar cantaram no hinos.
 Estrelaram-se todos os castelos, 
 E até nas nuvens repicaram sinos.

Foram-se as brancas horas sem rumo, 
 Tanto sonhadas! Ainda, ainda
 Hoje os meus pobres versos perfumo
 Com os beijos santos da tua vinda.

Quando te foste, estalaram cordas
 Nos violoncelos e nas harpas...
 E anjos disseram: — Não mais acordas, 
 Lírio nascido nas escarpas!

Sinos dobraram no céu e escuto
 Dobres eternos na minha ermida.
 E os pobres versos ainda hoje enluto
 Com os beijos santos da despedida.

Alphonsus de Guimaraens
 Imagem: Internet
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 O cisne-branco (Cygnus olor) é uma espécie de cisne nativa da Eurásia. É uma ave não migratória, mas foi introduzida na América do Norte e noutras regiões como animal ornamental de jardins. Pertence à família Anatidae, à qual também pertencem os patos e gansos.

2 comentários:

✿ chica disse...

Beleza de poesia escolhida!!! bjs praianos, chica e tudo de bom!

Allê Monteiro disse...

Obrigada Chica!!!
Bjsssssss