terça-feira, 24 de setembro de 2013


 Lidando com mudanças de vida

:: Silvia Malamud ::

Mudanças nos ensinam que nada é permanente. Incitam-nos a crescer e nos capacitam a lidar com as adversidades da vida. Por mais terríveis e dramáticas que realmente possam ser, se bem trabalhadas, podem ajudar no autoconhecimento, promovendo o fortalecimento do Eu real. Uma possibilidade de saber quem se é no íntimo, do que se deseja como objetivo de vida, quando o passado não mais é possível de retornar. 

Mudanças de vida, na maioria das vezes, são de difícil assimilação; nossa personalidade repentinamente se vê empurrada para viver o impensável. A emergência e a rapidez desses tipos de dinâmica costumam dificultar o acesso imediato aos recursos naturais que nos garantem sobrevivência de modo equilibrado, afinal, adaptar-se ao novo sempre exige tempo para processar. Por outro lado, abre-se oportunidade para se pôr em ação habilidades nunca antes acordadas.
Mudanças e rupturas no estilo de vida usual quebram a nossa onipotência em achar que estamos no controle de tudo. Absolutamente ninguém está isento de entrar em contato com o inesperado, com o inexorável, com frustrações.


Um dos exemplos mais clássicos e muitas vezes traumáticos fica naqueles que se veem obrigados a mudar de escola, cidade, emprego ou mesmo de país. Nestes é comum o surgimento de resistências emocionais, onde protagonistas veem-se em dificuldades de iniciar novos contatos que certamente os fariam crescer.
Mudanças sempre trazem inovações, novas ideias, novos ideais. Ter isso em mente é o início para aventurar-se no novo e desconhecido momento. Abrir-se para novas possibilidades de modo positivo e buscar surpreender-se, com a mente aberta para o inusitado, abre espaço para que a nossas habilidades se desenvolvam na maestria.
Em muitos casos, há receio e medo de se afastar das pessoas queridas, mesmo que seja impossível o retorno das mesmas. É possível, porém, driblar a saudade tendo novos laços de amizade ainda que cultivando antigos, apesar da distância, quando este for o caso.
Quando se muda de cidade, de escola ou mesmo de país, passamos por um distanciamento concreto das pessoas que amamos, das pessoas que estamos acostumados a conviver. Mas, nos dias de hoje, parece que o mundo literalmente encolheu. Em instantes, podemos ver as pessoas que amamos pela tela de um computador e mesmo saber de tudo o que se passa com os outros, por conta das redes sociais. Fazer uso destes aparatos tem efeito contundente no abrandamento da dor da ausência. A vida real, porém, ocorre fora das telas do computador. 


Saber mesclar os momentos de saudade refrescados pelos contatos virtuais com os novos, de fora da tela, ajuda os sentimentos a ficarem no tamanho certo e na medida adequada, abrindo espaço para um desenvolvimento de vida saudável.
O que fazer nos primeiros dias pós-mudança, quando a tristeza e a angústia são mais intensos? Como aliviar essas sensações tão ruins? Olhar para fora literalmente e ver a natureza, entrar em contato com a respiração.
Intencione sentir-se vivo nas coisas que lhe dão prazer. Se estiver num local de sol, sinta intensamente o calor do sol, a brisa, o frio ou calor. Busque sentir-se integrado à atmosfera do lugar para começar. Caminhe pelos órgãos dos sentidos e acolha as recordações sem rejeitar e sem ficar por tempo demasiado nelas. Acolher porque se o direito de sentir saudades, tristeza e angústia, mas não se deixar levar por isso para que estes sentimentos não disparem o estado de melancolia.
Nos momentos mais difíceis, fazer esforço consciente para conectar-se com o que proporciona prazer concreto. Evitar ter pena de si mesmo pela situação imposta, pois que esse tipo de sentimento será seu pior inimigo e só o levara para baixo. 


Sempre existe a oportunidade de conhecer pessoas e vivenciar situações novas nunca experimentadas anteriormente. Fazer um esforço consciente para sair de dentro de si apreciando a realidade presente.
Dificuldades em superar as mudanças podem acontecer com qualquer pessoa, em qualquer época da vida. Isso é plenamente humano e às vezes, dependendo da situação, transcender estes momentos, não é nada fácil. Se, porém, os dias vão passando e mesmo com todo esforço, a tristeza e a saudade tomam conta, se este cinza fica dentro de modo insuportável, é hora de buscar ajuda externa. Um processo terapêutico de auxílio sempre é bem-vindo e pode ajudar a transformar para muito melhor a percepção de tudo o que envolve a mudança. Desde fatores emocionais que não estão claros e que podem ser totalmente resolvidos, como ansiedade frente ao presente e ao futuro.
Existe uma terapia que se chama EMDR e que é eficientíssima, inclusive nestes casos. Se a mudança de algum modo foi traumática, a abordagem do EMDR faz como e a pessoa tirasse uma foto (mentalmente) da imagem, do momento mais perturbador que signifique a mudança, por exemplo, e a partir daí essa metodologia que trabalha com movimentos bilaterais, entre outras coisas e do protocolo, esta faz com que a pessoa reprocesse absolutamente todo o conteúdo emocional que a deixa triste e com dificuldades de transcender este difícil momento. O interessante dessa abordagem é que no momento do reprocessamento, quando se escolhe uma experiência perturbadora, todas as situações da vida da pessoa que têm ligação e que de algum modo contribuíram para esse tipo de situação surgem como algo holográfico, sem tempo, porém atual na questão, visando a promoção do bem-estar emocional. 


Funcionamos assim, está no nosso DNA, somos fadados à cura. Veja: se você se corta, seu organismo visa recuperar os tecidos, visa a auto cura, no psiquismo; se bem direcionadas, questões que não deram conta de serem reprocessadas com total eficiência, também têm a oportunidade de terem uma nova saudável resolução, o EMDR promove este espaço.
Dor e tristeza em excesso pela mudança são aspectos de um suposto cenário que contém todo um histórico de situações emocionais mal resolvidas e que foram disparadas pelo fator mudança. 


O EMDR pode ir pela imagem que ocasionou o sintoma caminhando até as origens, reprocessando todo conteúdo emocional até transformar o mal-estar do presente, aliviando crenças negativas que invadem um futuro incerto. Ao reprocessar contextos internos, a realidade externa efetivamente pode ser vista e redesenhada com todo o colorido que merece.







http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=11474

4 comentários:

Clau disse...

Oi Allê,
só temos a ganhar quando nos permitimos viver coisas novas e saudáveis.
Bjs!

Nina Braz disse...

Oi Allê,
Eu gosto de mudanças, para melhor ou que ficam na mesma, apenas de forma diferente.
Eu acho que até faz parte da minha personalidade, vivo mudando tudo de lugar, mudaria tranquilamente de casa, de cidade...até gostaria!
Beijos

Allê Monteiro disse...

Sempre penso que é melhor correr riscos por tentar mudar do que continuar na mesma a vida inteira...
Não sou muito de querer mudar de casa, de cidade,...hj desejo mudar e como desejo mas, para ficar perto dos meus pais.

Patricia Galis disse...

Tem até uma fobia não lembro o nome, mas existem pessoas que temem mudanças, mas isso é ineveital.
Excelente texto.